segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Maldita esperança!


Dizem que a esperança é a última que morre. Se isso for verdade, eu tô lascada!
Segundo a mitologia grega, a esperança foi o último sentimento que restou na caixa de pandora. Todos os outros fugiram rapidamente após a sua abertura. Queriam conhecer o mundo, habitar novos corações.
A esperança devia ser uma mistura de mineiro com baiano: desconfiada e preguiçosa demais para sair da caixa. Não sei as conseqüências práticas disso. Pandora deve ter tido dificuldade para recolher esses sentimentos mais espertinhos, mas uma coisa eu posso te garantir: ela tinha esperança!
Nos tempos de hoje a esperança continua sendo um enorme combustível para a humanidade. Todos nós esperamos por alguma coisa, mesmo sem perceber.
Esperança é esperar com otimismo, com a certeza de que tudo ficará bem no final! E se não está bem, é porque ainda não chegou ao fim!

Fim

Que tal colocarmos um pouco de realidade nessa história?
Eu tenho muita esperança. Acredito que de fato as coisas podem dar certo se nós tivermos um mínimo de entusiasmo e perseverança.
Sempre acreditei nas pessoas, na sua capacidade de mudança, e acho que essa é uma das minhas maiores qualidades (e, talvez, um dos meus maiores defeitos). Enfim, ter esperança é uma das minhas principais características.
Quando era criança, acreditava que poderia ser a criança mais rápida do mundo. Descobri que minha esperança estava limitada a minha falta de fôlego. Corria o recreio inteiro e o máximo que conseguia era ficar com vontade de vomitar. Foi nessa época que aprendi o verdadeiro significado de “apressado come cru”. Na realidade, eu nem conseguia fazer a digestão!
Na adolescência, pensava em ser atriz. Queria ser comediante, palhaça, humorista, qualquer coisa que fizesse com que as pessoas rissem. Bem, minha esperança bateu com a vontade dos meus pais e o meu sonho acabou se reduzindo a algumas peças na escola.
Já adulta, desejava encontrar um cara que me amasse de verdade. Encontrei o cara e me casei com ele. Minha esperança era compartilhar a minha vida ao seu lado pra sempre. Como vocês já sabem, não foi isso o que aconteceu.
Ter esperança pode ser uma furada se a gente não tiver alternativas. Imagina se eu acreditasse que apenas o meu ex poderia me fazer feliz? Tá. Eu já pensei nisso antes, mas vamos relevar...
Passados alguns meses após a separação, ainda me deparo com uma sensaçãozinha chata de esperança (não é à toa que falam de uma “ponta de esperança”. Deve ser a ponta bem afiada de uma lança!).
Ás vezes penso que é possível reatar. Que nossa separação não passa de um hiato em nossas vidas e que em breve poderei escrever para vocês sobre como é possível ter um casamento feliz!
Depois eu vejo que isso tudo não é mais possível e que a minha realidade é outra...
Maldita esperança! Fica me iludindo, me fazendo acreditar que tudo é possível!
Será que a culpa é da esperança? Será que ela é tão falha assim? Quero acreditar que não. Nessa minha caminhada rumo ao auto-conhecimento (e conhecimento dos outros) descobri que sempre depositei minha esperança nos outros, pelos outros, para os outros.
Eu acredito tanto nas pessoas que parei de acreditar em mim! Olha em que merda eu fui me meter! O mais engraçado é que eu não conseguia enxergar isso.
Hoje eu percebo que existe uma pessoa que merece todo o meu carinho, toda a minha atenção. Uma pessoa que sempre estará ao meu lado: EU!
            Estou descobrindo como vale à pena ter esperança em mim. E como isso é prazeroso! Não preciso de ninguém, apenas da minha fé, a maior das esperanças. Sei que vou conseguir tudo o que quero. Melhor ainda: eu mereço conseguir tudo o que eu quero. Isso não é egoísmo, nem tão pouco arrogância. É apenas a forma mais autêntica e genuína de se ter esperança!

Brasília, 14 de dezembro de 2011.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ciúme retardado


De repente, não mais que de repente, comecei a sentir algo estranho. Meu coração batia acelerado, minhas mãos suavam frio, minha garganta parecia fechar. Não. Não estou descrevendo sintomas de uma infecção alimentar ou reação alérgica. Estou falando do ciúme retardado!
            Eu nem sabia que isso existia. Como se pode sentir ciúmes de algo (no caso, alguém) que não temos mais? Pois esse mal existe e aconteceu comigo semana passada.
            Fui convidada para um evento e sabia que meu ex-tudo (marido, namorado, companheiro) também estaria lá. Tentei manter a pose e a elegância de uma verdadeira dama.
            Cheguei ao local do evento e me aproximei de alguns conhecidos. Meu ex já estava lá e conversamos por algum tempo. O tema da conversa variou entre meteorologia e premonição, tipo o clássico “será que vai chover amanhã?”.
            Estava me sentindo o máximo com o meu ex ali, no lugar que ele nunca deveria ter saído: do meu lado! Reconheço que ter terminado a relação foi ótimo pra mim, mas dá uma saudade... Ai, ai...

            (Depois de alguns suspiros e lamentações, sinto-me preparada para retomar a minha saga)

            Foi nesse momento que adentraram no recinto duas criaturas repugnantes: as “amigas” do meu ex. Uma delas me conhecia, mas não falou comigo (descobri que cortar o cabelo muda a fisionomia. Pitanguy que se cuide) e a outra... bem a outra ele NÃO quis apresentar. Como assim não quis? Quem ele pensa que é? Quem elas pensam que são? Quem é ela? Não respondam! Não respondam!
            Menina... foi me subindo um ódio, uma raiva. Meu rosto começou a esquentar, minhas mãos tremiam. Comecei a “bufar” feito touro (que pena que nenhuma delas usava vermelho.). Por pouco a “dama” não se transformou em “baiana”.
            Liguei para uma amiga e comecei a falar. Mentira: eu gritava! Queria que todos me ouvissem. Nunca falei tanto palavrão! E olha que carioca aprende a falar “merda” antes de “mamãe”.
            Que situação! Minha vontade era ir embora, mas não tinha como. Tive que aturar aqueles risinhos por quase 2 horas! Abrindo parênteses: estou refletindo agora e desconfio que eu tenha traços masoquistas. Fecha parênteses.
            O mais interessante é que meu ex não saiu do meu lado, mas isso não foi suficiente para diminuir a minha ira.
            Chegou a hora de ir embora (aleluia!). O bendito me levou até o carro e nos abraçamos de maneira bastante afetuosa. Entrei no carro, olhei para o lado e... uma das “quenguinhas” se aproximou dele. Até agora não sei como consegui chegar em casa!
            Passada a raiva, comecei a refletir sobre o que tinha acontecido. Por que tanto ódio? Por que tanta irritação? Não compreendia o que tinha acontecido comigo. Pensei. Pensei. Até que descobri: estava com ciúmes!
            Por mais que tenha doído muito na hora, a realidade era bem mais simples do que pensava. Estava sofrendo do velho e conhecido ciúme.
            Mas como? Nós terminamos! Como isso pôde acontecer comigo! Será que ainda gosto dele? Ai, meu Deus! Estou cheia de incertezas!
            Fala a verdade: isso já aconteceu com você, não é? Você sentiu igualzinho a mim, não foi? Pois bem, farei a minha leitura sobre o que aconteceu.
            Depois de tanto tempo de convívio é inevitável que alguns sentimentos fiquem um pouco misturados: carinho, apego, amor, posse, raiva, compaixão... Essa mistura acaba nos confundindo e a gente perde um pouco das nossas convicções: será que eu devia ter terminado mesmo? A confusão existe e não deve ser ignorada.
            Agora que consigo enxergar melhor o que aconteceu, percebo que o ciúme que senti não estava no meu ex (talvez um pouquinho...), mas na certeza de que outra mulher poderá ter parte do que tive. Ou melhor, poderá vivenciar novas experiências que eu nunca mais poderei ter com ele.
            Pode parecer um pensamento pequeno, mas é o que sinto. Sei que o que vivemos não poderá ser desfrutado por outra pessoa. O que dói é saber que outra pessoa terá algo que eu não posso mais ter com ele.
            Chego à conclusão que meu ciúme é do futuro, não do presente. O que acabou, acabou. Mas ainda penso no que poderia ter...
            O que me resta agora? Recordar o meu passado? Criar expectativas sobre o futuro? Nada! O que eu preciso é viver o meu presente! Sei que essa dor vai passar (e está passando) e que quanto mais presente eu estiver na minha vida, mais eu poderei aproveitá-la. Vou continuar seguindo em frente.
E se o ciúme aparecer de novo? Bem, só me resta senti-lo, mas não vou me prender a ele! O ciúme pode ser retardado. Eu não!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Para eles


Hoje decidi escrever para os homens. Assim como nós mulheres, eles precisam de algum tipo de orientação. Melhor que essa orientação venha de uma mulher, não acham?
            Saí no final de semana e fiquei muito impressionada com o que vi. Tá certo que o lugar que eu fui era meio alternativo, mas homem é homem em qualquer lugar.
            Dessa vez não foi necessário tomar a iniciativa para nada: eles simplesmente abordavam as mulheres (todas elas), sem o menor critério. Um cara que se aproximou da minha amiga falou (logo após levar um fora): “não entendo por que toda brasiliense é assim!”.
            Como vocês sabem, eu sou carioca. Mesmo assim, acho que a atitude da minha amiga é comum entre várias mulheres. O homem quer um comportamento diferente na mulher, mas age sempre da mesma forma! Desse jeito a resposta será sempre igual: NÃO!
            Nós mulheres não temos a obrigação de ficar com vocês! Parem de pensar que vocês são os últimos biscoitos do pacote! Tá certo que o número de mulheres é cada vez menor que o número de homens, mas isso não que dizer que vamos aceitar qualquer coisa. Continuamos tendo critério!
            Homem quando leva um fora consegue ser pior que mulher: fica irritado, xinga, derruba cerveja... Vi tudo isso em apenas uma noite! Fora o que a mídia noticia de vez em quando. Tem até caso de agressão física!
            Meus amores, sejam gentis com a gente que nós também seremos gentis com vocês. É sério. E se a gente não quiser ficar com vocês, respeitem isso. Sei que é difícil aceitar a rejeição, mas é melhor ter uma amiga por perto que uma mulher vingativa (e nós sabemos nos vingar muito bem!). Mulher quando bem tratada faz elogios e acaba trazendo mais mulheres para perto. Olha que beleza! Aprenda a investir nisso!
            Não vou negar que a aparência conta na hora da conquista, mas um bom papo não tem preço! Converse, galanteie, elogie e, o principal, seja sincero. Não me apareça com aquelas frases feitas! E tem mais, mulher não é peão para gostar de rodeios! Seja direto, mas não grosso. Está conseguindo me entender?
            Você pode até chegar junto, mas seja delicado. Fale do perfume que ela está usando, da pele, da roupa (de preferência nessa ordem). Nada de sair apertando, puxando e esticando, viu? Palavras terminadas em “ão” ou “aço” não são bem-vindas. Exemplo:

            - Nossa! Que “corpaço”! Que “bundão”!
           
            Seja diferente, seja original. Não repita os erros dos seus amigos. Cada mulher é única e merece ser tratada como tal. Ser respeitoso e educado não ofenderá a sua masculinidade. Muito pelo contrário! Como já falei antes, mulher gosta de ser bem tratada!
            Como eu queria encontrar um homem desses... Assim como eu, devem existir diversas mulheres que também gostariam de um encontrar um cara como... VOCÊ! Isso mesmo: VOCÊ!
            É claro que eu não vou entregar tudo de bandeja. Ainda há muito mais mistérios nesse fabuloso universo feminino, mas se você oferecer um jantar, quem sabe?
            Lembre-se: aproximar-se de uma mulher é fácil. Difícil é permanecer ao seu lado. Então, mãos à obra e boa sorte!

Brasília, 06 de dezembro de 2011.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Como classificar os homens


Como estou aprendendo nesses últimos meses! Aprendi a me arrumar, a sair, a beber cerveja! Minhas amigas são ótimas professoras e eu sou uma aluna bastante aplicada.
Vira e mexe elas aparecem com uma novidade. Eu que não sou boba, procuro assimilar todas essas informações o mais rápido possível (assim eu posso escrever mais para vocês!).
            A última lição que aprendi foi a importância do “cacho”. Cacho? Isso mesmo: cacho. Eu pensava que isso se referia apenas a cabelos encaracolados ou a bananas, mas a verdade é que cacho significa muito mais que isso...
            Tenho uma amiga que sempre fala em cachinhos: uma companhia masculina certa para ser acionada quando se está sozinha, carente ou quando precisamos de algo mais que um abraço forte (se é que você me entende).
            Eu não compreendia muito bem essa história de cacho. Na minha terra nós falamos “peguete”, “ficante”, mas nunca “cacho”. Isso deve ser coisa de São Paulo!
Passado algum tempo, fui percebendo a funcionalidade dessa companhia certa. Seria ótimo ter alguém que você pudesse contar, seja para fazer carinho, dormir de conchinha, conversar até altas horas... E o melhor, sem ter a preocupação de virar um compromisso.
Vamos às diferenças entre peguete e cacho:

·         Peguete – alguém que você pega eventualmente na balada, mas não passa disso. Sua principal função é entreter a noite.

·         Cacho – pessoa mais próxima que pode (eu iria mais longe: deve) freqüentar a sua casa. Sua principal função é suprir a sua carência.

Mas não pára por aí! Entre as minhas várias descobertas nos últimos meses, fui apresentada a uma nova categoria de homens: o P. A. Eu sou do tempo que P. A. era apenas uma sigla para “progressão aritmética”. Descobri que é muito mais (e muito melhor, diga-se de passagem) que isso!
Essa expressão eu aprendi com outra amiga, aqui de Brasília mesmo, e fiquei surpresa. Ela se refere a uma amizade sem compromisso baseada no sexo. “A” quer dizer amigo. Já o “P”... usem a imaginação!
Qual seria a diferença entre “cacho” e “P. A.”? O cacho existe para suprir a carência, o P. A. para suprir nossa vontade, o nosso desejo.  Em nenhum dos dois casos deverá ter envolvimento, caso contrário... Ai! Não gosto nem de pensar!
Um P. A. pode se transformar em um cacho, mas acho pouco provável que um cacho se transforme em um P. A. O cacho é bonzinho. O P. A., um sacana.
            Você deve tentar identificar o potencial de cada homem para ver em que categoria ele rende melhor: Peguete, Cacho ou P. A. É um pouco trabalhoso, mas evita sofrimentos futuros. O principal, minha amiga, é NÃO se envolver!
Curta a sua liberdade, a sua independência, a sua solteirice! Descubra o prazer de estar em sua companhia! Pode ser que você perceba que nenhuma dessas categorias faz sentido e que o bom mesmo é estar sozinha!

Brasília, 03 de dezembro de 2011.